A falta de diálogo entre a
esquerda marxista e os trabalhadores
Apesar de muitas críticas à
teoria do agir comunicativo de Habermas, penso que o filósofo alemão acerta
quando destaca que no universo dos falantes, emissor e recebedor, as desavenças
têm origem nos ruídos enquanto obstáculos à falta de comunicação entre os
falantes por conta de um estar em sintonia diferente do outro, portanto é
preciso que ambos dominem o código linguístico para falarem a mesma coisa.
Nesse caso, segundo Habermas, o agir comunicativo tem por imperiosidade a razão
capaz de linkar os falantes no universo dos princípios e não dos interesses,
visto que aqueles podem gerar o consenso e os interesses inviabilizá-lo por
conta da irracionalidade própria dos particularismos.
Pois bem, partindo do princípio
de que a comunicação é o centro da divulgação das ideias, a esquerda marxista
perdeu a classe operária para o PT, as igrejas evangélicas e os setores
conservadores porque foi incapaz de se comunicar para além dos seus muros, logo
não se deve responsabilizar os operários pelos nossos insucessos, pelas nossas
incapacidades de explicar a realidade a partir do materialismo histórico. Nós,
da esquerda marxista, nos contentamos em elaborar explicações abstratas, ao
gosto acadêmico e numa disputa para saber quem domima mais o aparato teórico do
pensamento marxista, com isso nos furtamos dialogar com os operários e
olvidamos o quotidiano deles e suas dificuldades. Encastelamo-nos numa torre de
marfim e nos desconectamos da realidade.
A esquerda marxista sempre se
queixou da falta de espaço nas mídias convencionais, alimentando a infantil
hipótese de obter, dessas mídias, os espaços que são reservados aos outros
grupos políticos. Não, as mídias convencionais estão corretas pelo simples fato
de que nós somos contrários aos interesses delas, logo não podemos ser tratados
como aliados porque nosso objetivo e mudar o estado de coisas, por isso só
podemos contar com a classe trabalhadora, mas para isso é necessário que
mudemos nossa linguagem empolada e voltemos a ela explicando a realidade
partindo do universo do trabalho enquanto raiz da produção de todo e qualquer
bem, além de ouvirmos o que o operariado tem para nos dizer.
Por fim, devemos dialogar com a
classe operária onde ela estiver, e no geral dizer que não queremos os objetos
dos burgueses, mas nossa participação na riqueza nacional porque o trabalho
humano é a fonte de qualquer valor, inclusive o fato de que o capital tem sua
origem no trabalho. Já passou do dia de lutarmos para organizar forças e
constituirmos um foro de comunicação eficiente.
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