segunda-feira, 27 de agosto de 2018


A falta de diálogo entre a esquerda marxista e os trabalhadores

Apesar de muitas críticas à teoria do agir comunicativo de Habermas, penso que o filósofo alemão acerta quando destaca que no universo dos falantes, emissor e recebedor, as desavenças têm origem nos ruídos enquanto obstáculos à falta de comunicação entre os falantes por conta de um estar em sintonia diferente do outro, portanto é preciso que ambos dominem o código linguístico para falarem a mesma coisa. Nesse caso, segundo Habermas, o agir comunicativo tem por imperiosidade a razão capaz de linkar os falantes no universo dos princípios e não dos interesses, visto que aqueles podem gerar o consenso e os interesses inviabilizá-lo por conta da irracionalidade própria dos particularismos.

Pois bem, partindo do princípio de que a comunicação é o centro da divulgação das ideias, a esquerda marxista perdeu a classe operária para o PT, as igrejas evangélicas e os setores conservadores porque foi incapaz de se comunicar para além dos seus muros, logo não se deve responsabilizar os operários pelos nossos insucessos, pelas nossas incapacidades de explicar a realidade a partir do materialismo histórico. Nós, da esquerda marxista, nos contentamos em elaborar explicações abstratas, ao gosto acadêmico e numa disputa para saber quem domima mais o aparato teórico do pensamento marxista, com isso nos furtamos dialogar com os operários e olvidamos o quotidiano deles e suas dificuldades. Encastelamo-nos numa torre de marfim e nos desconectamos da realidade.

A esquerda marxista sempre se queixou da falta de espaço nas mídias convencionais, alimentando a infantil hipótese de obter, dessas mídias, os espaços que são reservados aos outros grupos políticos. Não, as mídias convencionais estão corretas pelo simples fato de que nós somos contrários aos interesses delas, logo não podemos ser tratados como aliados porque nosso objetivo e mudar o estado de coisas, por isso só podemos contar com a classe trabalhadora, mas para isso é necessário que mudemos nossa linguagem empolada e voltemos a ela explicando a realidade partindo do universo do trabalho enquanto raiz da produção de todo e qualquer bem, além de ouvirmos o que o operariado tem para nos dizer.

Por fim, devemos dialogar com a classe operária onde ela estiver, e no geral dizer que não queremos os objetos dos burgueses, mas nossa participação na riqueza nacional porque o trabalho humano é a fonte de qualquer valor, inclusive o fato de que o capital tem sua origem no trabalho. Já passou do dia de lutarmos para organizar forças e constituirmos um foro de comunicação eficiente.

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