Pauta incompleta
A importância da filosofia não está no fato de que ela seja
capaz de melhorar o indivíduo, mas, por outro lado, ser um instrumento que
ajude compreender os fenômenos que compõem a realidade, visto que compreendê-la
em sua totalidade consiste num esforço para além do possível. Nesse caso, a
importância da filosofia reside na reflexão sobre os fenômenos morais que
englobam a consciência do agir, a maneira de agir, a vontade de agir etc., logo
tais elementos do fenômeno moral são estudados especificamente pela ética, ramo
da filosofia que investiga os pormenores da moral, uma vez que esta pode ser
entendida como um conjunto de regras que regula, ao lado do direito, o
quotidiano dos indivíduos com base nos valores socialmente construídos num
determinado processo histórico. Assim, ética e moral são termos distintos que
expressam conceitos díspares.
Esse preâmbulo justifica-se porque, geralmente, as esquerdas
confundem ética com moral, além de pensar que o mundo moral é, necessariamente,
reacionário, considerando as relações sociais um emaranhado de dominações
porque esquecem que o ato de respeitarmos nossos pais, educarmos nossos filhos,
lutarmos por leis mais justas não sejam atos revestidos de moralidade etc. As
esquerdas brasileiras fogem do debate moral porque o consideram inferior ao
debate político, acreditando que a política seja uma instância descolada da
moral, imaginando-se superior à direita por esta ter monopolizado o discurso moral.
Por tropeçar na filosofia e cair de corpo e alma no
pensamento ideológico, as esquerdas desconhecem o significado de moral e passam
associá-la ao conjunto de elementos dominadores, reproduzindo valores advindos
do mundo econômico nas outras formas de relações sociais. Quando as esquerdas
tropeçam na filosofia e caem na ideologia apartam-se do povão e não compreendem
porque este mesmo povão entrega sua vida à direita que se tornou capaz de
re-significar e dirigir as indignações morais para a despolitização da corrupção
As esquerdas devem repensar seus pontos de vista sobre a
questão moral porque a corrupção em que muitos se meteram fazem com que nosso povão
se afaste delas e, logicamente, associe corrupção ao nosso mal maior, ignorando
que a concentração da riqueza nos bolsos de poucos seja um outro dado moral do
nosso universo político. Por fim, creio que devemos olhar a política como um
elemento ligado à ética, lição importante de Aristóteles para ampliarmos a
discussão política sobre a corrupção, mal que mata nosso povão nas muitas filas
da vida brasileira.
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