sexta-feira, 24 de agosto de 2018


Pauta incompleta

A importância da filosofia não está no fato de que ela seja capaz de melhorar o indivíduo, mas, por outro lado, ser um instrumento que ajude compreender os fenômenos que compõem a realidade, visto que compreendê-la em sua totalidade consiste num esforço para além do possível. Nesse caso, a importância da filosofia reside na reflexão sobre os fenômenos morais que englobam a consciência do agir, a maneira de agir, a vontade de agir etc., logo tais elementos do fenômeno moral são estudados especificamente pela ética, ramo da filosofia que investiga os pormenores da moral, uma vez que esta pode ser entendida como um conjunto de regras que regula, ao lado do direito, o quotidiano dos indivíduos com base nos valores socialmente construídos num determinado processo histórico. Assim, ética e moral são termos distintos que expressam conceitos díspares.

Esse preâmbulo justifica-se porque, geralmente, as esquerdas confundem ética com moral, além de pensar que o mundo moral é, necessariamente, reacionário, considerando as relações sociais um emaranhado de dominações porque esquecem que o ato de respeitarmos nossos pais, educarmos nossos filhos, lutarmos por leis mais justas não sejam atos revestidos de moralidade etc. As esquerdas brasileiras fogem do debate moral porque o consideram inferior ao debate político, acreditando que a política seja uma instância descolada da moral, imaginando-se superior à direita por esta  ter monopolizado o discurso moral.

Por tropeçar na filosofia e cair de corpo e alma no pensamento ideológico, as esquerdas desconhecem o significado de moral e passam associá-la ao conjunto de elementos dominadores, reproduzindo valores advindos do mundo econômico nas outras formas de relações sociais. Quando as esquerdas tropeçam na filosofia e caem na ideologia apartam-se do povão e não compreendem porque este mesmo povão entrega sua vida à direita que se tornou capaz de re-significar e dirigir as indignações morais para a despolitização da corrupção

As esquerdas devem repensar seus pontos de vista sobre a questão moral porque a corrupção em que muitos se meteram fazem com que nosso povão se afaste delas e, logicamente, associe corrupção ao nosso mal maior, ignorando que a concentração da riqueza nos bolsos de poucos seja um outro dado moral do nosso universo político. Por fim, creio que devemos olhar a política como um elemento ligado à ética, lição importante de Aristóteles para ampliarmos a discussão política sobre a corrupção, mal que mata nosso povão nas muitas filas da vida brasileira.

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