segunda-feira, 13 de agosto de 2018


Esquerda e o discurso econômico

Não sou economista, mas me importo com esta ciência porque ela ajuda compreender a realidade como está posta sem tergiversação, contrário da maioria dos integrantes das esquerdas brasileiras, egressa geralmente dos cursos de história, ciências sociais e alguns penduricalhos dos curso de filosofia, letras e direito. Digo isso pelo completo desleixo em relação ao discurso econômico por parte dos candidatos à presidência da república, especialmente os que militam no campo da esquerda com honrosa exceção para Ciro Gomes, que agora, segundo psolistas e petistas, está infiltrado para desestabilizar as esquerdas com seus quadros qualificados com experiências em ONGs e associações de moradores.  

Mas tem outro dado que complica a relação das esquerdas com a realidade, pelo menos no Rio de Janeiro, é que sua esmagadora maioria não está empregada no setor produtivo, isto é, no mundo privado, por isso não tem a mínima noção da engrenagem do modo de produção capitalista, e os conhecimentos que tem dele parte da cópia da cópia, prejudicando qualquer análise eficiente sobre os outros problemas sempre derivados da esfera econômica. Por isso, que, nos debates com o pessoal da direita, sempre toma uma surra no trato da ciência da relação necessidade-escassez.

O que me deixa perplexo no debate econômico é o bater de ombros que as esquerdas sempre pronunciam por uma falta de entender que, em última instância, são as relações de produção econômica que determinam as demais produções, e se muitos “esquerdistas” tivessem administrado uma carrocinha de amendoim, saberiam que é preciso receita para poder sustentar despesas. Portanto, se vivemos sob o modo de produção capitalista nos planos interno e externo, é mais do que óbvio ser preciso jogar o jogo dentro dele e buscar o melhor para a classe operária, sem o que ficaremos pensado que ainda estamos no grêmio estudantil do ensino médio, esperando escatologicamente a iminência da revolução.     

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