Esquerda e o discurso econômico
Não sou economista, mas me
importo com esta ciência porque ela ajuda compreender a realidade como está
posta sem tergiversação, contrário da maioria dos integrantes das esquerdas
brasileiras, egressa geralmente dos cursos de história, ciências sociais e
alguns penduricalhos dos curso de filosofia, letras e direito. Digo isso pelo
completo desleixo em relação ao discurso econômico por parte dos candidatos à
presidência da república, especialmente os que militam no campo da esquerda com
honrosa exceção para Ciro Gomes, que agora, segundo psolistas e petistas, está infiltrado
para desestabilizar as esquerdas com seus quadros qualificados com experiências
em ONGs e associações de moradores.
Mas tem outro dado que complica a
relação das esquerdas com a realidade, pelo menos no Rio de Janeiro, é que sua
esmagadora maioria não está empregada no setor produtivo, isto é, no mundo
privado, por isso não tem a mínima noção da engrenagem do modo de produção
capitalista, e os conhecimentos que tem dele parte da cópia da cópia,
prejudicando qualquer análise eficiente sobre os outros problemas sempre
derivados da esfera econômica. Por isso, que, nos debates com o pessoal da
direita, sempre toma uma surra no trato da ciência da relação
necessidade-escassez.
O que me deixa perplexo no debate
econômico é o bater de ombros que as esquerdas sempre pronunciam por uma falta
de entender que, em última instância, são as relações de produção econômica que
determinam as demais produções, e se muitos “esquerdistas” tivessem
administrado uma carrocinha de amendoim, saberiam que é preciso receita para
poder sustentar despesas. Portanto, se vivemos sob o modo de produção
capitalista nos planos interno e externo, é mais do que óbvio ser preciso jogar
o jogo dentro dele e buscar o melhor para a classe operária, sem o que
ficaremos pensado que ainda estamos no grêmio estudantil do ensino médio,
esperando escatologicamente a iminência da revolução.
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